Itatiba recebe neste sábado, 11 de abril, mais uma campanha de doação de sangue promovida pelo Rotary Club do município. A ação será realizada na Secretaria de Ação Social, na região da rodoviária, e tem como objetivo reforçar os estoques e conscientizar a população sobre a importância de doar.

O apelo ganha ainda mais força com histórias como a do pequeno Arthur Nicodemos da Silva, de apenas 1 ano e 4 meses, diagnosticado com anemia falciforme do tipo SS, a forma mais grave da doença. A condição genética afeta a forma das hemácias, dificultando a circulação do sangue e comprometendo a oxigenação do corpo, o que pode causar dores intensas, infecções e outras complicações.

Pacientes com esse quadro frequentemente precisam de transfusões ao longo da vida. Foi pensando nisso que a mãe do Arthur, Gabriela Nicodemus, procurou o Departamento de Jornalismo da CRN (Central de Rádio e Notícias) para compartilhar sua história e sensibilizar a comunidade.
“O sangue, para nós, é algo que não pode ser comprado. É 100% doado. E vai muito além disso, é você se doar para o próximo”, afirma Gabriela.

Diagnóstico

Ela conta que o diagnóstico do Arthur veio poucos dias após o nascimento, por meio do teste do pezinho. “Foi um baque muito grande. Ouvir que é uma doença sem cura acessível e com expectativa de vida tão limitada é extremamente doloroso para qualquer pai e mãe”, relembra.

Desde então, a rotina da família passou a ser marcada por cuidados intensivos. Arthur já enfrentou mais de 18 internações e chegou a ficar 15 dias na UTI – Unidade de Terapia Intensiva, ainda nos primeiros meses de vida.

“Uma simples gripe pode ser fatal para ele. Já tivemos meses com quatro ou cinco internações. Cada crise é uma luta”, relata a mãe.

Transfusão de sangue necessária

Segundo Gabriela, a transfusão de sangue é essencial para a sobrevivência do filho. “O sangue doado funciona como um soro imediato. Ele devolve a cor, melhora a oxigenação e protege os órgãos quase que na hora”, explica.

A anemia falciforme também impõe diversas limitações ao dia a dia da criança. Arthur não pode frequentar a escola, nem ter contato com multidões ou variações extremas de temperatura. Até atividades simples podem desencadear crises.

“Uma brincadeira no parque já fez ele ficar sete dias internado. A dor que eles sentem é comparável a ossos quebrando ou a um parto sem anestesia”, destaca.

Gabriela reforça que a falta de informação sobre a doença ainda é um desafio. No Brasil, milhões de pessoas possuem o traço falciforme sem saber, o que pode levar ao nascimento de crianças com a forma grave da condição.

Diante desse cenário, ela faz um apelo direto à população: “Não é só uma doação de sangue. É vida dentro de um saquinho. Uma única doação pode salvar até quatro pessoas. Vocês mantêm o meu filho e tantas outras pessoas vivas”.

Para a mãe, cada bolsa de sangue representa mais do que tratamento: é uma nova chance. “Para nós, a transfusão é um recomeço. É o que leva oxigênio, alívio e esperança para o corpo do meu filho. Talvez você nunca conheça quem ajudou, mas para uma família como a nossa, isso significa mais um dia juntos”.

As campanhas mensais promovidas pelo Rotary Club de Itatiba servem justamente para ampliar essa rede de solidariedade. “Doe sangue. Um gesto simples pode ser o milagre que uma criança como o Arthur está esperando”, conclui Gabriela.