Emeb Júlio César, a mais antiga escola de Itatiba, chega aos 130 anos de história

Créditos de Imagem: Renato Jr/PMI
Publicado em: 14/05/2026 às 07:07:42
Itatiba celebrou ontem (13/05/2026) os 130 anos da Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) Coronel Júlio César, carinhosamente chamado de “Grupão”, o mais antigo do município e uma das mais antigas de todo o interior paulista, referência arquitetônica e histórica da cidade.
Mais de 40 mil estudantes já passaram por ela ao longo dessa trajetória. Neste 2026, marca dos 130 anos, estão matriculados 390 alunos no Júlio César, que celebram com toda a comunidade: pela manhã, a apresentação foi dos alunos mais velhos - do 3º ao 5º ano - são 236 estudantes distribuídos em nove salas; à tarde, foi a vez de 154 alunos de seis salas de 1º e 2º ano celebrarem. Pais e familiares foram convidados a participar.
O prefeito Thomás Capeletto de Oliveira prestigiou o aniversário da escola e assistiu a apresentação dos alunos. "São 130 anos! Essa história merece nosso total respeito. Muitas histórias passadas por essas paredes, e temos que preservar toda essa memória. Parabéns a toda equipe gestora e às tantas gerações de itatibenses que foram criados aqui. Para nós é um orgulho", declarou.
A secretária de Educação de Itatiba, Sueli de Moraes Tuon, comentou o significado desta escola centenária. “Representa a construção de histórias, valores, sonhos e conhecimentos que atravessam gerações, tornando-se parte fundamental da identidade de uma comunidade. Ao longo destes 130 anos, a Emeb Júlio César formou cidadãos, transformou vidas e acompanhou as mudanças sem perder a essência: educar com compromisso, responsabilidade e esperança. Hoje homenageamos uma história de transformação, pertencimento e compromisso com a formação de cidadãos conscientes e preparados para construir uma sociedade melhor”, valorizou Sueli.
Os visitantes puderam ver a exposição com trabalhos que os alunos de todas as salas produziram para esta festividade: literatura de cordel, maquetes caprichadas, trabalhos sobre a fachada e painel de artes, bem como memórias e fotos antigas de aulas e professores que passaram por lá, além de uma “carta para o futuro” que tem uma proposta de ser aberta daqui 30 anos. Também na festa, foi apresentada uma música especial pelos 130 anos de Júlio César.
“É um dia histórico e sucesso um portfólio desta festa que ficará guardado na memória do Grupão”, comentou a diretora Karina Maria Parodi Ricci Sesti. Além do destaque histórico, a escola também é uma das referências municipais em qualidade de ensino. Nos últimos dois anos, o Júlio César recebeu o Certificado Escola Ouro, pelo destaque nas metas de qualidade na aprendizagem a partir dos resultados de avaliações estaduais como o Saresp.
Atualmente, o Júlio conta com uma equipe de 30 pessoas, entre os 17 professores, quatro auxiliares, além do pessoal da gestão, administração, limpeza, cozinha e monitoria. A escola fica na Rua Rangel Pestana - 326, bem no Centro, esquina com a Praça José Bonifácio, o Jardim da Cadeia.
Início do Grupão
Até 1885, Itatiba contava apenas com algumas escolas isoladas. Com a Proclamação da República em 1889, o ensino paulista passou por amplas reformas e a mais importante delas foi a criação dos Grupos Escolares - quando as escolas isoladas foram “agrupadas” em um único edifício e o ensino passou a contar com um currículo novo e sistematizado.
Os primeiros foram criados na Capital e, a partir de 1894, expandiram-se pelo interior. Em alguns casos, os grupos escolares foram chamados também de “Escolas Reunidas”, com o mesmo sentido. No dia 13 de maio de 1896 ocorreu a Conferência das Escolas Reunidas de Itatiba, que mais tarde se transformaram no Grupo Escolar Cel. Júlio César. Foi instalado na Rua Benjamin Constant - 59 e em 1906 a pedra fundamental deu início às obras de construção do atual prédio.
Em 1909, com a construção finalizada, foram iniciadas as aulas no prédio utilizado até hoje. O professor Gelvis Bassi, que leciona nesta unidade e que pesquisa relatos de escolas da cidade, cita que Júlio César foi o único grupo escolar de Itatiba por quase 50 anos - apenas em 1951 foi criado por Araújo Campos.
Vereador Júlio César
Manuel Ferraz de Campos Salles, então presidente (1898-1902), sugeriu que o primeiro Grupo Escolar de Itatiba passasse a ser chamado de Grupo Escolar Coronel Júlio César de Cerqueira Leite, como reconhecimento aos seus esforços para a implantação da escola.
O patrono nasceu em Campinas em 1845 e era irmão de Francisco Glicério. Aos 16 anos aceitou o convite de seu cunhado, João Batista Passos, para vir a Itatiba e casou-se em 1871 com Francisca Andrade de Paula Vianna, filha do fazendeiro Francisco Antônio de Paula Vianna.
Em 1873 fundou o Partido Republicano e foi eleito vereador da Câmara Municipal de Itatiba com mandatos de 1877 a 1888. Faleceu em Campinas no dia 8 de março de 1922. Foi um dos grandes líderes para a criação do Grupo Escolar que hoje leva seu nome. A grande influência, reputação e amizade junto ao colega campineiro Campos Salles, foi fundamental nesse processo.
O historiador itatibense Luís Soares de Camargo ressalta que outro personagem fundamental na fundação do Grupo Escolar foi o tenente-coronel Eduardo Alves de Moura. Advogado e fazendeiro, foi também vereador e Intendente de Itatiba entre 1890 e 1898. Esteve ao lado do Coronel Júlio César para conseguir a aprovação do projeto que criou uma nova escola de Itatiba. Faleceu em São José dos Campos em 1913.
Prédio tombado
O prédio foi projetado pelo arquiteto José Van Humbeeck e a planta segue o padrão escolar da época, com salas de aula ao redor de um claustro central. Os porões também mostram as antigas técnicas de construção, em arcos. Em 1960, sob a direção da profa. Ivony de Camargo Salles (hoje, nome de escola estadual na cidade), o prédio passou pela primeira grande reforma, que substituiu os janelões de duas folhas por vitrôs basculantes e trocou o piso de tábuas largas por estreitas. Houve restauração completa em 1998, quando o pátio interno recebeu cobertura, rampa de acesso e anfiteatro, no lugar da quadra.
Também foi importante para a saúde do município: as aulas foram suspensas em 1919 e em 1954, durante as respectivas epidemias de Gripe Espanhola e Febre Tifóide em Itatiba, locações de alojamento para as centenas de doentes.
Protegido pela Lei Municipal 3.418 de dezembro de 2000, foi também tombado, dois anos depois, em 30/08/2002, pelo Condephaat, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, que protege, valoriza e fiscaliza o patrimônio cultural material e imaterial.




