O futebol amador de Itatiba foi tema do podcast Itatiba Pod+, apresentado por Márcio Egídio, que recebeu o técnico e dirigente da Associação Esportiva Alvorada, Anderson Gambeloni e o árbitro e diretor da Associação Itatibense de Futebol (AIF), Paulo Rogério Rufino de Godoy.

Durante o programa, os convidados falaram sobre o Campeonato Amador de Itatiba, que reúne dezenas de equipes distribuídas pelas quatro divisões, além de abordarem a evolução do futebol local, os investimentos necessários para montar uma equipe competitiva, a presença das torcidas e a trajetória de ambos no esporte.

Em 2026 a competição reúne 65 agremiações, sendo 15 equipes na Primeira Divisão, 16 na Segunda, 15 na Terceira e 19 na Quarta Divisão. O campeonato foi apontado como um dos maiores já realizados no futebol amador da cidade.

Gambeloni e uma história de títulos e finais

Conhecido pela longa trajetória à frente do Alvorada, Anderson Gambeloni relembrou como começou sua participação no futebol amador. Ele contou que recebeu, em 2008, um convite de Sandrão Delcor para integrar o Alvorada, então presidido por Emerson Ciço. “Eu não tinha experiência de vestiário. Estava lá com a rapaziada, mas aceitei o desafio”, recordou.

A aposta deu resultado. Naquele ano, Gambeloni conquistou o primeiro título amador da história do Alvorada. Em 2009, voltou a ser campeão com a equipe. Depois, passou pelo 1º de Maio e chegou novamente à decisão, em 2010. Após um período afastado do futebol, retornou ao Alvorada em 2019 e conquistou novamente o Campeonato Amador. Em 2022, levou a equipe a outra final, desta vez contra o Flamenguinho, que venceu nos pênaltis.

Nos anos seguintes, Gambeloni também dirigiu outras equipes e chegou novamente às decisões. Em 2025, foi campeão da Segunda Divisão com o Alvorada, garantindo o retorno da equipe à principal divisão. “Não ganhei todas, mas cheguei. É o que eu falo. E não é fácil”, afirmou o técnico ao comentar sua sequência de participações em finais.

Para Gambeloni, a presença constante nas decisões demonstra que o trabalho realizado pelas equipes é competitivo. Ele também destacou a evolução do nível técnico do campeonato nos últimos anos.

Custo para montar uma equipe é desafio

Um dos assuntos discutidos foi o aumento dos custos para montar equipes competitivas. Gambeloni afirmou que atualmente os times de bairro enfrentam dificuldades para conseguir recursos e competir com equipes que possuem maior capacidade financeira. “Hoje, para montar um time na cidade competitivo sem dinheiro, é muito, muito difícil chegar”, declarou.

Segundo o técnico, o cenário também mudou na relação entre jogadores e clubes. Na avaliação dele, muitos atletas passaram a analisar as propostas financeiras antes de definir onde irão jogar. “É assim, é meio que um leilão hoje os jogadores. É complicado. É o tal do amor à camisa, esquece. É poucos”, afirmou.

Gambeloni também defendeu a importância da torcida para fortalecer as equipes e citou como exemplo o ambiente criado em jogos de times que conseguem mobilizar grande número de torcedores.

Arbitragem também foi tema

Paulo Godoy aproveitou a participação para contar sua trajetória no futebol e na arbitragem. Morador e integrante da comunidade do bairro Afonso Zupardo, ele explicou que seu contato com a arbitragem começou ainda nos jogos amistosos do Alvorada. “Foi ali que eu comecei na arbitragem, apitando os jogos amistosos lá no Alvorada. Fui pegando o gosto com a coisa”, relatou.

Em 2001, Godoy realizou um curso de arbitragem promovido com participação da Secretaria de Esporte e passou a integrar o quadro da Liga de Futebol, atuando nos campeonatos da cidade.

Dois anos depois, em 2003, participou da fundação da Associação Itatibense de Árbitros de Futebol (AIAF). Godoy permaneceu 15 anos na presidência da entidade, em três mandatos, período em que, segundo ele, a associação chegou a reunir mais de 40 árbitros. “Formamos vários árbitros”, destacou, lembrando que profissionais passaram pela entidade e alcançaram reconhecimento no cenário da arbitragem.

Associação enfrenta dificuldades

Durante a entrevista, Godoy também falou sobre as dificuldades enfrentadas atualmente pela AIF. Segundo ele, a entidade possui um quadro reduzido e enfrenta problemas para manter sua estrutura administrativa.

Ele explicou que a associação deixou de ser exclusivamente voltada à arbitragem e passou também a atuar na organização de competições esportivas. Entretanto, diante da redução do número de integrantes e das dificuldades administrativas, existe atualmente a possibilidade de encerramento das atividades.

“A associação hoje, não é só de árbitros, ela é de clubes também”, explicou Godoy. Segundo ele, a entidade enfrenta dificuldades para manter dirigentes, árbitros e as despesas administrativas.

Experiência de três décadas nos gramados

Godoy também relembrou momentos marcantes de sua carreira, construída ao longo de aproximadamente 30 anos de atuação na arbitragem. Entre os destaques, citou finais disputadas em Jundiaí. “Eu fiz cinco finais em Jundiaí, quatro finais seguidas de Amador, oito, nove, dez e onze”, contou.

Ele destacou ainda que, em 2011, foi escolhido para trabalhar nos dois jogos da decisão do Campeonato Amador de Jundiaí, ida e volta, situação que classificou como rara dentro de sua experiência profissional.

O episódio do podcast Itatiba Pod+ colocou em debate diferentes aspectos do futebol amador, desde a paixão dos jogadores e torcedores até os desafios financeiros, administrativos e estruturais enfrentados pelas equipes e entidades que ajudam a manter o esporte local em atividade.

A íntegra da entrevista está disponível no canal Rádio CRN Itatiba Oficial, no YouTube. O podcast Itatiba Pod+ é apresentado às segundas-feiras e também pode ser acompanhado pela Rádio CRN, em 1420 kHz AM, pelo site da emissora e pelo aplicativo CRN-AM.

Apoio: Aguazul Natação, Jornal de Itatiba e Sicoob – Unicentro Br.