Na segunda-feira (27), o podcast ItatibaPod+ reuniu duas especialistas para discutir um tema urgente e ainda cercado de silêncio: a violência doméstica e o feminicídio. Participaram da edição a comandante da Guarda Municipal de Itatiba, Jaqueline Bortolozzo e a terapeuta e escritora Denise Moraes. A apresentação foi do jornalista Márcio Egidio.

A proposta desse episódio foi integrar diferentes olhares sobre o problema, unindo a atuação da segurança pública com a abordagem da saúde emocional. Durante a conversa, as convidadas destacaram que a violência doméstica não se limita à agressão física, sendo, na maioria dos casos, o estágio final de um ciclo que começa com sinais mais sutis.

A terapeuta Denise Moraes explicou que comportamentos de controle já indicam relações abusivas. “Normalmente, a agressão física é o último estágio. Antes disso, existem violências psicológicas, como dizer com quem a pessoa pode falar, que roupa pode usar ou controlar horários”, afirmou. Segundo ela, esses sinais costumam ser confundidos com cuidado. “Quando isso é excessivo, deixa de ser proteção e passa a ser controle”.

A comandante Jaqueline Bortolozzo reforçou que a violência pode assumir diferentes formas dentro do ambiente familiar. “A violência acontece nas relações íntimas e pode ser física, psicológica, moral ou patrimonial”, disse.

Ela também destacou uma forma mais recente reconhecida: “O agressor pode usar filhos ou familiares para atingir a vítima, explorando o lado mais sensível dela”.

Durante o programa, foi apresentado o trabalho da Patrulha Guardiã Maria da Penha, iniciativa realizada em parceria com o Ministério Público. A equipe atua no acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, oferecendo suporte, monitoramento e atendimento especializado.

“A gente faz a busca ativa dessa vítima, entende o perfil dela e do agressor e oferece acompanhamento. Em caso de risco, ela pode acionar um aplicativo que envia um alerta imediato para a Guarda”, explicou a comandante. Segundo ela, o atendimento exige preparo específico: “Todos os agentes passam por capacitação para garantir um acolhimento adequado”.

As entrevistadas também abordaram fatores culturais que contribuem para a permanência das vítimas em relações abusivas. Denise destacou que muitas mulheres não reconhecem a situação de violência. “É muito difícil a vítima se enxergar nesse lugar, principalmente quando ela vem de um ambiente onde isso já era normalizado”, disse.

Outro ponto discutido foi a necessidade de envolver toda a sociedade no enfrentamento do problema. Para Denise, isso inclui também a participação masculina. “A gente precisa parar de pensar em quem é mais importante e entender que homens e mulheres têm papéis igualmente relevantes. Sem essa parceria, a gente não avança”.

Jaqueline reforçou que o trabalho de combate à violência doméstica depende tanto da denúncia quanto da conscientização. “A gente está aqui para dar suporte e orientar. É importante que as pessoas saibam que não estão sozinhas”, afirmou.

O episódio também reforça a importância de ampliar o diálogo sobre o tema e incentivar a busca por apoio, seja por meio de canais oficiais ou de redes de acolhimento.

As entrevistas estão disponíveis no canal “CRN Itatiba Oficial” no YouTube.

O Itatiba Pod+ vai ao ar todas as segundas-feiras, às 19h, pela CRN – 1.420 kHz e pelo canal “CRN Itatiba Oficial” no YouTube, com o apoio da Rádio CRN, Jornal de Itatiba, BV – Bohac e Vedovello e SICOOB – UniCentro Br.