Um grupo de 15 refugiados de seis nacionalidades concluiu, em Morungaba, uma capacitação empreendedora promovida pelo Sebrae-SP, em parceria com a ACNUR e com o apoio da instituição Vila Minha Pátria. A iniciativa foi realizada por meio do escritório regional do Sebrae-SP em Jundiaí e teve como objetivo oferecer ferramentas práticas para a criação de negócios sustentáveis no Brasil.

Participaram da formação refugiados oriundos de Cuba, Nigéria, Irã, Afeganistão, Egito e Marrocos, em uma turma majoritariamente feminina. Ao longo do curso, foram aplicadas oficinas com os temas “Marketing”, “Transforme a sua ideia em modelo de negócios” e “Comece a elaborar o seu plano de negócios”, abordando desde a identificação de segmentos de clientes e estratégias de comunicação até formação de preço, fluxo de caixa e uso do Canva para estruturar modelos de negócios inovadores.

As atividades foram conduzidas pelo consultor de negócios do Sebrae-SP, Samuel Souza, que destacou o caráter transformador da experiência. Segundo ele, o processo de adaptação dos conteúdos, exemplos e linguagem — aliado ao trabalho de tradução — tornou o aprendizado ainda mais enriquecedor. “Graças às parcerias e ao apoio que construímos, foi possível impactar sonhos e projetos por meio do Sebrae-SP”, afirmou.

Além dos conteúdos teóricos, os participantes receberam orientações sobre pesquisa de mercado e coleta de dados, etapas fundamentais para a elaboração de um plano de negócios atrativo e financeiramente viável. Para a nigeriana Virtous Naomi, que concluiu a capacitação, o curso ajudou a compreender melhor como estruturar e analisar ideias. “O tema de marketing foi o mais interessante para mim. O desafio agora é encontrar um diferencial para que as pessoas escolham meu produto. Preciso pensar fora da caixa”, relatou.

A afegã Tahira Kholosi também destacou o impacto da formação. Segundo ela, o curso representou um despertar para o empreendedorismo e para a confiança pessoal. “Falou-se sobre começar, ter coragem e construir algo a partir do nada. As palavras eram simples, mas profundas, e cheias de exemplos que davam vida aos sonhos. Saio com mais esperança e motivação para o futuro”, disse.

Para a assistente social da Vila Minha Pátria, Branda Militão, a ação teve um significado especial no processo de acolhimento. Ela ressalta que, ao deixar o país de origem, muitos migrantes buscam прежде de tudo sobreviver, enfrentando a ruptura de laços, identidades e segurança. “Esse processo exige muita resiliência. Agradecemos a sensibilidade e empatia do Sebrae-SP e acreditamos que ainda há muito a ser feito para garantir a dignificação de quem migra forçadamente para o Brasil”, concluiu.


Com informação do Jornal de Itatiba