Um homem identificado como Francisco foi preso ontem (18), em Itatiba, suspeito de envolvimento na morte de Victoria Natalini, ocorrida há 11 anos durante uma excursão escolar. A prisão temporária foi realizada por policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio da Divisão de Capturas do Dope.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o suspeito foi localizado em Itatiba e levado para o 2º Distrito Policial da capital, onde permanece à disposição da Justiça. A polícia não divulgou, até o momento, detalhes sobre a motivação do crime ou as evidências que fundamentaram a prisão.

Victoria desapareceu em setembro de 2015, durante uma atividade da Escola Waldorf Rudolf Steiner na Fazenda Pereiras, em Itatiba. Ela havia se afastado do grupo para ir ao banheiro e não retornou. O corpo foi encontrado no dia seguinte, em uma área de mata.

Investigação

Inicialmente, a morte foi tratada como de causa indeterminada, e a possibilidade de homicídio chegou a ser descartada. A família, porém, contestou os primeiros resultados da investigação e contratou uma perícia independente. Novas análises apontaram asfixia mecânica como causa da morte, levando à retomada das investigações sobre a possibilidade de homicídio.

A investigação sobre a autoria chegou a ser arquivada por falta de provas, mas foi reaberta em 2025 após novas diligências do DHPP. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, o homem preso já havia sido investigado anteriormente.

Segundo a polícia, o homem é acusado por crimes sexuais praticados contra outras duas crianças, sem relação direta com o caso de Victoria. Foi por conta desses episódos que ele foi preso temporariamente por agentes do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Na época da morte de Victoria, Francisco chegou a ser apontado como suspeito do homicídio da jovem.

Francisco morava perto do local onde o corpo de Victoria foi encontrado e teria sido visto por testemunhas circulando de carro na região no período próximo ao crime. Além disso, relatos indicavam que ele já teria "mexido" com adolescentes das redondezas anteriormente. Ele chegou a ser ouvido na delegacia, mas, diante da ausência de provas mais robustas, não foi tratado formalmente como investigado naquele inquérito.

A investigação sobre a morte de Victoria acabou arquivada no período posterior ao crime. No ano passado, porém, o caso foi reaberto por pressão da família. Em diligências realizadas desde então, a polícia chegou novamente ao suspeito preso nesta sexta-feira.

Os investigadores ainda buscam indícios que possam conectá-lo ao homicídio da adolescente em 2015.
Em fevereiro deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que a escola pagasse R$ 1 milhão de indenização à família de Victoria. A decisão considerou falhas na supervisão da excursão e na condução dos acontecimentos após o desaparecimento da estudante.